A Primeira Mensagem

 AcaTudo    25 abr 2022 : 23:53

O profeta já tinha visto um primeiro anjo voando no meio do céu.

E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a Terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, porque vinda é a hora do Seu Juízo. E adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Apocalipse 14:6, 7).

Ele é chamado de “primeiro anjo” porque é o primeiro da série (Apocalipse 14:9). João o chama de “outro anjo”, uma vez que, antes deste, o profeta já tinha visto um primeiro anjo voando no meio do céu.

Essa proclamação é de proeminente importância. Não se trata meramente de um julgamento local, mas de um julgamento que envolve todos os habitantes da Terra. Portanto, faz-se referência aqui à cena do Juízo Final. O evangelho, aqui chamado de “evangelho eterno”, é o mesmo evangelho que Paulo pregou. Mas a grande verdade pronunciada por esse anjo não teria sido uma verdade pronunciada por Paulo, pois ele viveu no começo da dispensação do evangelho, e essa proclamação está relacionada com suas cenas finais. Ela parece corresponder a “esse evangelho do reino”, que nosso Senhor apresenta em Mateus 24:14 como o sinal do fim dessa dispensação, e que deveria ser pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações, antes que viesse o fim.

A verdade sobre esse ponto está bem expressa na seguinte citação do falecido Sr. Bliss, editor do Advent Herald, na edição de 14 de dezembro de 1850:

Como indicação da aproximação do fim, entretanto, seria visto outro anjo voando no meio do céu, tendo o evangelho eterno para proclamar aos que habitam sobre a Terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo (Apocalipse 14:6). A responsabilidade desse anjo era proclamar o mesmo evangelho que tinha sido anunciado antes; mas, associado a ele, estava o motivo adicional, a proximidade do reino: “dizendo com grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, porque vinda é a hora do Seu Juízo. E adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Apocalipse 14:7). Nenhuma mera pregação do evangelho, que não anunciasse a proximidade do reino, poderia representar o cumprimento dessa mensagem.

Em harmonia com esse testemunho do editor do Herald, apresentarei aqui um outro, extraído de um folheto sobre profecias publicado por J. V. Himes, mais ou menos na mesma época, que também fala sobre a natureza da mensagem e o tempo de sua aplicação. O título do folheto é “Our Specific Work” [Nosso Trabalho Específico].

A proclamação de um evangelho eterno, “é chegada a hora do Seu Juízo” (Apocalipse 14:6, 7), é a principal proclamação do advento.

Em resumo, os fatos são os seguintes: João, olhando para o futuro distante, contemplando o drama do conflito final, vê um mensageiro, um ministro de um evangelho eterno, voar no meio do céu com uma proclamação especial, elevada, alegre e pública, a qual requeria celeridade e extraordinária energia em sua apresentação. A proclamação contém um fato e uma ordem, alicerçada sobre esse fato. 1. O fato: “Vinda é a hora do Seu Juízo”. 2. A ordem: “Temei a Deus [...]” Esses são os elementos dessa comissão especial. A obra desse agente simbólico é, assim, claramente definida. Não há termos que possam ser mais específicos.

Esse mensageiro simboliza uma classe de mestres? Essa tem sido a compreensão geral de expositores. O Sr. Wesley e o Dr. Benson interpretam a passagem dessa forma. Existe grande unanimidade sobre esse ponto. Isso fica claro pelo fato de o texto dizer que é para pregar. Essa classe de pessoas vive no período da modernidade. O Sr. Wesley e o Dr. Benson creem que esse mensageiro é um símbolo dos reformadores protestantes nos dias de Lutero. Um grande número de expositores concorda com essa ideia. Essa comissão, todavia, não pode ser a de Lutero.

Esse grupo deve existir em algum lugar e, considerando seu caráter e a natureza de sua obra, ele deve estar em acordo com o mensageiro simbólico. Os participantes desse grupo devem estar em harmonia, como se estivessem diante de um espelho. Será que esse grupo pode ser encontrado? A proclamação acima mencionada foi ouvida. O mundo pode dar testemunho disso. O clamor “Vinda é a hora do Seu Juízo” soou por toda a cristandade. As multidões o ouviram e zombaram, ou tremeram. Por qual corpo de crentes essa proclamação foi feita? Não foi pelos que ensinavam que esse Juízo ocorreria no futuro, após mil anos. Nenhuma igreja que defenda a doutrina de um reino espiritual pode ser definida como sendo esse grupo, pois os elementos de sua proclamação contradizem frontalmente os elementos acima mencionados. Esse grupo, ora existente, pode apenas ser encontrado entre os que constituem os crentes do advento, na Europa e na América.

Como prova de que essa mensagem não foi cumprida na história da igreja em eras passadas, apresento os seguintes fatos:
1. Nenhuma proclamação da chegada da hora do Juízo de Deus foi feita em nenhuma era passada.
2. Se uma proclamação como essa tivesse sido feita muitos séculos atrás, como alguns querem defender, ela teria sido falsa.
3. As profecias em que se baseia essa proclamação, dirigida à humanidade ainda vivendo em tempos de oportunidade de salvação, foram encerradas e seladas até o tempo do fim.
4. As Escrituras claramente datam a mensagem de advertência com respeito ao Juízo para um breve período, imediatamente anterior ao advento do nosso Senhor, contrariando diretamente, assim, a ideia que coloca essas mensagens em eras passadas.


Apresentamos, agora, provas em apoio às proposições acima mencionadas. Se elas forem sustentadas, fica estabelecido que as mensagens angélicas se destinam à geração presente. Convidamos, sinceramente, todos os que desejam conhecer a verdade, a ponderar sobre esta parte do argumento, com especial cuidado.

1. A proclamação da vinda da hora do Juízo de Deus foi feita em alguma época passada? Se essa proclamação nunca foi feita em séculos passados, põe-se um ponto final em qualquer controvérsia sobre esta parte do assunto. Ninguém jamais foi capaz de mostrar que tal proclamação aconteceu no passado. Os apóstolos não fizeram tal proclamação. Ao contrário, eles nos informam claramente que o dia do Senhor não estava, então, às portas. Martinho Lutero não fez tal proclamação, pois achava que o Juízo viria cerca de trezentos anos no futuro. E, finalmente, a história da igreja não relata que tal proclamação tenha ocorrido no passado. Se o primeiro anjo tivesse pregado para cada nação, tribo, língua e povo que a hora do Juízo de Deus havia chegado, a notoriedade de tal proclamação seria garantia suficiente de que a história do mundo conteria o registro dessa pregação. Mas seu total silêncio com respeito a essa proclamação é prova suficiente de que ela nunca foi feita, e deveria silenciar os que fazem tal afirmação.

2. Estamos em terreno firme, também, quando dizemos que, se essa proclamação tivesse sido feita ao mundo em eras passadas, ela seria uma proclamação falsa. Quatro razões sustentam essa declaração: 1) Não existe nenhuma parte da Bíblia na qual essa mensagem, em séculos passados, pudesse estar baseada. Assim, se tal proclamação tivesse sido feita, ela não teria fundamento bíblico e, consequentemente, não seria uma mensagem proveniente do Céu. 2) Ela estaria em direta oposição àquelas passagens bíblicas que datam o Juízo, bem como a advertência a respeito de sua proximidade, para o período da última geração. Os versos que sustentam essas duas razões serão citados. 3) A história mundial apresenta amplas evidências de que a hora do Juízo de Deus não veio em eras passadas. 4) Tal mensagem também não seria verdadeira, em épocas passadas, se fosse limitada à Babilônia, pois Apocalipse 18:8-10 mostra claramente que a hora do juízo da Babilônia ainda está no futuro. Dessa forma, o anjo que tinha a proclamação a respeito da hora do Juízo de Deus com certeza não a deu em um momento em que, além de destituída de apoio escriturístico, ela também estaria em contradição absoluta a seu próprio e claro testemunho.

3. As profecias que nos apresentam o tempo certo para o Juízo, e que apresentam a sucessão de eventos que levaria a esse momento decisivo, foram encerradas e seladas até o tempo do fim. Referimo-nos, particularmente, às profecias de Daniel (ver cap. 8:17, 26; 12:4, 9). Assim, é evidente que Deus reserva a advertência somente à geração que dela precisa. A advertência de Noé acerca do dilúvio era aplicável somente aos que o testemunharam. Portanto, assim também a advertência a respeito do Juízo só é aplicável à geração que vive nos últimos dias.

4. A Bíblia data essa mensagem para o período que precede imediatamente o segundo advento, e nos adverte claramente contra a proclamação do Juízo iminente antes desse momento. Temos, aqui, um ponto de controvérsia com nossos oponentes. Em vez de acharmos que os apóstolos fizeram essa proclamação, como ensinam alguns, encontraremos incontestáveis evidências de que eles dataram essa advertência para um futuro distante, e que eles admoestaram a igreja a cuidar para que ninguém antecipasse um tempo estabelecido. Se recorrermos ao livro de Atos, encontraremos Paulo pregando perante Felix, sobre o Juízo vindouro, e, perante os atenienses, sobre o dia apontado por Deus, no qual Ele julgará e justificará o mundo em Cristo Jesus (Atos 24:25; 17:31). Em nenhum lugar, no entanto, esse livro insinua que Cristo viria imediatamente para realizar tal Juízo.
Pedro direciona seus ouvintes para o futuro, afirmando que os Céus que, então, haviam recebido a Cristo, deviam retê-Lo até o tempo da restauração (Atos 3:21).

Pode parecer que a primeira epístola aos Tessalonicenses ensina que os apóstolos esperavam a vinda de Cristo, para julgar, ainda em seus dias. Com efeito, é evidente que tal ideia foi interpretada pela igreja tessalonicense com base nessa suposição. Em consequência disso, em sua segunda epístola para eles, Paulo achou necessário falar explicitamente sobre essa questão. Ele lhes disse que a vinda de Cristo para julgar não poderia ocorrer antes da grande apostasia, e que, como resultado dessa apostasia, o homem do pecado seria revelado, ostentando-se como Deus e se levantando contra tudo que se chama Deus, ou é adorado. Ninguém negará que esse mistério da iniquidade é a grande apostasia romana, exceto um defensor da supremacia papal.

Paulo relembrou os tessalonicenses de que ele lhes falara sobre essas coisas quando esteve entre eles. E, onde Paulo poderia ter aprendido essa verdade sobre a qual lhes falou? Ele estava acostumado a arrazoar com base nas Escrituras, e não em opiniões pessoais. Assim, é bastante evidente que ele está se referindo à profecia do livro de Daniel, o qual, no capítulo sete, apresenta a sucessão de eventos que aconteceria entre o tempo determinado na profecia e o Juízo. Nessa série de eventos, está descrito, com maravilhosa precisão, o poder ao qual Paulo se refere como o homem do pecado. Nenhum protestante negará a identidade do chifre pequeno de Daniel, e a do homem do pecado de Paulo. E, visto que Daniel a colocou dentro de uma série de eventos que termina com o Juízo e o estabelecimento do reino eterno, foi fácil para Paulo estabelecer onde, nessa série de eventos, ele se encontrava, e se o Juízo era o próximo evento, ou não, da sequência. O apóstolo, portanto, diz claramente que aquele dia não estava às portas, pois o homem do pecado, o chifre pequeno, devia se levantar e fazer sua obra, conforme predito, e, quando isso se cumprisse, Cristo deveria vir, para consumir “o iníquo” com Seu fulgor.

Quando o chifre pequeno deveria se levantar? Foi dito a Daniel que o chifre pequeno se levantaria depois dos dez chifres do quarto animal. Ou, em outras palavras, depois que o quarto império fosse dividido em dez reinos, o que se cumpriu cerca de quinhentos anos depois de Cristo. O Juízo, portanto, não poderia vir antes desse momento. Mas, por quanto tempo esse chifre pequeno teria poder para destruir os santos? Daniel nos informa que seria “por um tempo, e tempos, e metade de um tempo”. Quanto dura esse período? Apocalipse 12 mostra que são 1.260 dias proféticos, ou anos (versos 6, 14). Conclui-se, portanto, que o apóstolo leva em conta que se passariam quinhentos anos a partir de seu tempo, até o aparecimento do homem do pecado e, daí, mais 1.260 anos, referentes ao período de seu triunfo, antes que o Juízo pudesse ser pregado como um evento iminente. Quem ler cuidadosamente Daniel 7 compreenderá a origem do argumento de Paulo em 2 Tessalonicenses 2, e não deixará de ver a força de sua declaração.

A supremacia papal começou em 538 e terminou em 1798, com a queda do poder temporal do papa. A advertência de Paulo contra uma falsa proclamação a respeito do Juízo iminente, portanto, expira nessa data – não antes – pois nela encontramos o ponto, no tempo, em que ocorreu o último evento importante antes do Juízo, em Daniel 7. Se um anjo do Céu pregasse, num passado distante, que a hora do Juízo de Deus era chegada, ele estaria apresentando um evangelho diferente daquele pregado por Paulo. Os que interpretam que o aparecimento do anjo de Apocalipse 14:6, 7 ocorreu em eras passadas põem, para todos os efeitos, sobre sua cabeça o anátema de Paulo, em Gálatas 1:8.

É muito interessante que o ponto, no tempo, no qual expira a advertência de Paulo, corresponda ao começo do tempo do fim – o mesmo momento até o qual as visões de Daniel estariam encerradas, fechadas e seladas. Compare Daniel 11:33, 35 com Daniel 7:25, e ficará óbvio que a perseguição dos santos de 1.260 anos termina com o começo do tempo do fim. Essa visão sobre o assunto faz a verdade de Deus resplandecer gloriosamente, pois a advertência do apóstolo, contra uma falsa proclamação do Juízo iminente, expira quando o selo é retirado das profecias que mostram o momento em que se assenta o Juízo. É a respeito desse período, o tempo do fim, que é dito que “muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência [o saber, na ARA, ou seja, o conhecimento justamente sobre o assunto que antes foi ocultado] se multiplicará”. Então, o tempo do fim é o período em que deve ser dado o clamor sobre a hora do Juízo e apresentadas as mensagens subsequentes (Daniel 8:17, 26; 12:4, 9).

Outro argumento importante sobre esse ponto é encontrado nas palavras de nosso Senhor quanto aos sinais do segundo advento. A igreja devia perceber a proximidade de Sua vinda mediante o cumprimento de certos sinais prometidos. Até que eles fossem vistos, eles não estavam autorizados a esperar pelo advento imediato do Senhor. Mas, quando os sinais que nosso Senhor prometeu começassem a aparecer, Sua igreja devia, então, saber que Sua vinda para julgar os vivos e os mortos seria iminente. É interessante que Cristo indicou o momento em que esses sinais começariam a surgir. Consequentemente, as mensagens anunciando tal evento não podiam ser apresentadas antes desse tempo. “E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas” (Mateus 24:29). “Ora, naqueles dias, depois daquela aflição, o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz. E as estrelas cairão do céu, e as forças que estão nos céus serão abaladas” (Marcos 13:24, 25). Acreditamos não haver equívoco de que, nessas passagens, nosso Senhor está Se referindo à tribulação papal de Daniel, o profeta. Os sinais de Sua segunda vinda deveriam começar “naqueles dias”, mas “depois daquela aflição” [“após a referida tribulação”, ARA]. Em outras palavras, os 1.260 anos proféticos não estariam totalmente encerrados, mas sua tribulação estaria concluída quando o sol se escurecesse. O sol se escureceu em 1780, juntamente com a tribulação daqueles dias, mas os dias expiraram apenas em 1798. Assim, nota-se que os sinais do imediato advento de nosso Senhor começaram a ocorrer à medida que o tempo do fim se aproximava – o período em que devia ser retirado o selo da visão, e em que muitos correriam de uma parte para outra, tendo a palavra de advertência para um mundo a perecer.

A extensão dessa proclamação é digna de nota. Um escritor inglês, Mourant Brock, comenta:
Não é apenas na Grã-Bretanha que a expectativa do breve retorno do Redentor é acolhida, e a voz de advertência, levantada. Também na América, na Índia e na Europa continental. Na América, cerca de trezentos ministros da Palavra estão pregando “este evangelho do reino”, enquanto, neste país, cerca de setecentos ministros da Igreja da Inglaterra estão erguendo o mesmo clamor (Advent Tract, v. 2, p. 135).

O Dr. Joseph Wolfe viajou pela Arábia Felix, numa região habitada pelos descendentes de Hobabe, sogro de Moisés. No Iêmen, ele viu um livro sobre o qual ele menciona o seguinte:
Os árabes deste local têm um livro chamado “Seera”, que trata da “segunda vinda de Cristo, e Seu reino em glória”.

No Iêmen, ele passou seis dias com os recabitas. “Eles não bebem vinho, não plantam vinhas, não semeiam, vivem em tendas e se lembram das palavras de Jonadabe, filho de Recabe. Com eles, se encontravam filhos de Israel, da tribo de Dã, que residem perto de Terim em Hadramaute, e que esperam, assim como os filhos de Recabe, a breve chegada do Messias nas nuvens do Céu” (Wolfe’s Mission to Bokhara [A Missão de Wolfe em Bokhara]).

Em Wirtemberg, há uma colônia cristã com centenas de pessoas que anelam o breve advento de Cristo. Há outra com uma crença semelhante às margens do Cáspio, como também os Molokaners, um grande grupo de dissidentes da igreja russa grega, os quais residem às margens do Báltico – um povo devoto, de quem se diz: “adotando apenas a Bíblia como fundamento de sua crença, a norma de sua fé consiste simplesmente nas Santas Escrituras”. Estes se caracterizam pela “espera do imediato e visível reino de Cristo sobre a Terra”. Na Rússia, a doutrina da vinda e do reinado de Cristo é pregada em certa medida, e aceita por muitos da classe mais baixa. Essa doutrina tem sido debatida na Alemanha, particularmente na região sul, entre os morávios. Na Noruega, gráficos e livros sobre o advento têm circulado extensivamente, e a doutrina tem sido recebida por muitos. Entre os tártaros, na Tartária, prevalece uma expectativa de que o advento de Cristo ocorra por volta desta época. Publicações inglesas e americanas sobre essa doutrina têm sido enviadas para a Holanda, Alemanha, Índia, Irlanda, Constantinopla, Roma e para quase cada posto missionário na face da Terra. Nas ilhas Turks, ela foi recebida, em certa medida, entre os wesleyanos. O Sr. Fox, um missionário escocês entre o povo telugo, era um crente na breve vinda de Cristo. James McGregor Bertram, um missionário escocês da ordem batista de Santa Helena, fez soar extensivamente o clamor naquela ilha, fazendo muitos conversos e premilenialistas. Ele também pregou a doutrina em postos missionários da África do Sul. David N. Lord nos informa que, uma grande proporção dos missionários que deixaram a Grã-Bretanha para dar a conhecer o evangelho aos pagãos, e que agora estão trabalhando na Ásia e na África, são milenialistas.

Joseph Wolfe, D.D., de acordo com seus diários, entre 1821 e 1845, proclamou o breve advento de Cristo na Palestina, no Egito, na costa do Mar Vermelho, Mesopotâmia, Crimeia, Pérsia, Geórgia, por todo o império otomano, na Grécia, Arábia, Turquestão, Bocara, Afeganistão, Cashemira, Hindustano, Tibete, Holanda, Escócia, Irlanda, Constantinopla, Jerusalém, Santa Helena, dentro de navios no Mediterrâneo e na cidade de Nova York, para todas as denominações. Ele declara ter pregado entre judeus, turcos, muçulmanos, parses, hindus, caldeus, yesedes, sírios, sabeus, paxás, xeiques, xás, reis de Organtsh e Bocara, a rainha da Grécia, etc. Sobre os extraordinários trabalhos de Wolfe, o Investigator [Investigador] diz: “Ninguém, talvez, tenha dado maior publicidade à doutrina da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo do que esse conhecido missionário mundial. Onde quer que vá, ele proclama o iminente advento do Messias em glória” (Voice of the Church, p. 342-344).

O trecho que se segue, da pena do editor do Voice of Truth, edição de janeiro de 1845, representa adequadamente a posição de todos os adventistas americanos daquela época:
Estamos indubitavelmente próximos da auspiciosa hora quando a seara da Terra será colhida, tal como descreve Apocalipse 14:14-16. A história do povo de Deus descrita naquele capítulo, em seu estado de mortalidade antes de ser glorificado, está quase completa. O evangelho eterno, tal como descrito nos versos 6 e 7, tem sido pregado em cada nação, tribo, língua e povo, dizendo em grande voz: “Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu Juízo. E adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” A pregação da breve volta de Cristo, às portas, ou no ano de 1843, foi levada a cada nação e língua debaixo do Céu, nesses poucos anos passados. Com efeito, nenhum acontecimento pode ser mais claramente comprovado com fatos do que esse. Mediante palestras e publicações, o sonido tem chegado a toda a Terra, e a palavra, até os confins do mundo.

Mas os que esperavam que o Senhor viesse em 1843 e 1844 ficaram desapontados. Esse fato, para muitos, é razão suficiente para rejeitar todos os testemunhos em favor da mensagem. Para eles, é absurda a posição de que o movimento do advento foi um cumprimento da profecia, sendo que, ao mesmo tempo, os que participaram do movimento ficaram amargamente desapontados. Reconhecemos o desapontamento, mas não podemos reconhecer que isso represente uma razão justa para negar a presença da mão de Deus nessa obra. É fato que o povo de Deus cumpriu a profecia, e, ao mesmo tempo, foi desapontado em suas esperanças. O mesmo ocorreu com os discípulos e a ruidosa multidão, na ocasião da entrada do nosso Senhor em Jerusalém, quando eles bradaram: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” O profeta de Deus havia dito: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta” (Zacarias 9:9). Essas palavras precisavam ser cumpridas. O que inspirou os gritos dos discípulos foi a expectativa de que o Mestre iria, naquele momento, ascender ao trono de Davi, para reinar entre eles. Mas eles ficaram desapontados nesse ponto. Em alguns dias, suas esperanças se desvaneceram ao Ele expirar sobre a cruz. Eles cumpriram a profecia? Ninguém negará que eles a cumpriram. As expectativas que os levaram a cumprir a profecia foram atingidas? Eles foram profundamente desapontados.

Embora eles tenham ficado desapontados em cada aspecto de suas expectativas, os adventistas, em 1844, estavam certos em três dos quatro pontos principais de sua fé.
Esses pontos eram:
1.) o modo e o objetivo do segundo advento de Cristo;
2.) a aplicação dos símbolos proféticos do livro de Daniel;
3.) o tempo profético;
4.) o evento que deveria ocorrer no fim dos períodos proféticos.
A respeito dos três primeiros pontos, os adventistas de 1844 estavam certos. Quanto ao quarto, estavam equivocados. O anjo não disse para Daniel que Cristo voltaria no fim dos 2.300 dias. Suas palavras ao profeta são: “Até duas mil e trezentas tarde e manhãs, e o santuário será purificado”. O assunto da purificação do santuário de Daniel 8:14 é, agora, compreendido e visto como algo bem diferente da segunda vinda de Jesus Cristo nas nuvens do céu, para redimir Seu povo e destruir Seus inimigos com o fogo do último dia.

Um desapontamento não prova, de forma alguma, que Deus não esteja guiando o Seu povo com Sua mão. Ele deveria levá-los a corrigir seus erros, mas não levá-los a abandonar sua confiança em Deus. Foi por ficarem desapontados no deserto que os filhos de Israel, com frequência, negaram a guia divina. Eles servem de advertência para nós, para que não caiamos no mesmo problema de incredulidade.

Mas deve ficar evidente, para cada estudante das Escrituras, que o anjo que proclama a hora do Juízo de Deus não dá a última mensagem de misericórdia. Apocalipse 14 apresenta duas outras proclamações posteriores, que ocorrerão antes do fechamento da porta da graça. Esse fato, apenas, é suficiente para provar que a vinda do Senhor não ocorre ao término da proclamação do primeiro anjo.


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