A Terceira Mensagem

 AcaTudo    25 abr 2022 : 21:47

A mais solene advertência contida na Bíblia.

E os seguiu o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber o sinal na testa ou na mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da Sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso, nem de dia nem de noite, os que adoram a besta e a sua imagem e aquele que receber o sinal do seu nome. Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:9-12).

Esta é a mais solene advertência contida na Bíblia. Uma vez que a pena da inspiração registrou esse alerta para nossa instrução, será sábio, de nossa parte, ouvi-lo e obedecê-lo. É certo que a história da igreja não apresenta qualquer testemunho de que essa mensagem tenha sido ouvida no passado. E, o fato de que o primeiro e o segundo anjos dessa série se dirigem à presente geração, estabelece muito claramente que a mensagem não pertence a épocas passadas. Disse J. V. Himes, em 1847:

Mas o capítulo 14 [de Apocalipse] apresenta um retumbante clamor, nunca antes ouvido, como uma advertência à humanidade, nessa hora de grande provação (versos 9-11). Nenhuma outra denúncia, tão assustadora quanto esta, de ira, pode ser encontrada no livro de Deus. Não seria ela o anúncio de uma intensa provação, já que exige uma admoestação tão terrível?

Convém destacar, aqui, três símbolos empregados nessa mensagem, a saber, a besta, sua imagem e sua marca, e chamar a atenção para outros quatro pontos específicos abordados por ela. São eles: a paciência dos santos, os mandamentos de Deus, a fé de Jesus e a ameaça do castigo.

1. A besta. O modo familiar com que a besta, sua imagem e sua marca são apresentadas nessa mensagem, mostra que estes são símbolos explicados em outro lugar da Palavra profética, pois quando um símbolo é, pela primeira vez, apresentado na profecia, especificações e características particulares são fornecidas, a fim de conduzir o humilde investigador da verdade à compreensão dele. Não encontramos essas características particulares, concernentes aos símbolos aqui apresentados, nessa mensagem. Portanto, devemos procurá-los em outras partes do livro de Apocalipse. No capítulo 13, do verso 1 em diante, encontramos um poder apresentado sob o símbolo e sob o nome de “uma besta”. O momento em que ela surgiria e o modo como atuaria são fornecidos, suas características são apresentadas, sua obra é descrita, o tempo de sua duração é declarado e o término de sua trajetória é predito. É certo que esta é a besta mencionada na terceira mensagem, pois ela é o único símbolo, no livro de Apocalipse, que leva o título de “a besta”, sem qualquer descrição adjacente. No verso 11 do capítulo 13, outra besta é apresentada, mas, depois de ser chamada pela primeira de “outra besta”, ela passa a ser designada, na King James Version, em inglês, pelo pronome “he” [ele]. Esta outra besta faz uma imagem para a primeira besta, e faz com que todos recebam a marca daquela besta. Nenhuma outra imagem ou marca referentes a qualquer besta são apresentadas em qualquer outro lugar. Assim, essas são as bestas a que se refere a terceira mensagem. Portanto, os símbolos diante de nós são, todos eles, descritos no capítulo 13 de Apocalipse.

Perguntamos, então: que poder é representado pela besta? Para responder a essa pergunta, temos que voltar ao capítulo 12, onde encontramos um poder simbolizado por um grande dragão vermelho, que é o que precede de forma imediata a besta do capítulo 13. As sete cabeças e os dez chifres desses dois símbolos mostram que eles representam duas fases do mesmo poder. Por consenso universal dos comentaristas protestantes, o grande dragão vermelho é considerado uma representação da Roma pagã. A forma seguinte assumida por Roma, após a sua forma pagã, foi a forma papal. A Roma papal sucedeu à Roma pagã. O dragão cedeu seu trono, poder e grande autoridade para a besta. Assim, a besta não representa nenhum outro poder além da Roma papal.

Isso é mostrado, com clareza adicional, pela semelhança que existe entre essa besta e o chifre pequeno de Daniel 7:8, 19-26, o qual simboliza o papado – e nesse ponto todos os comentaristas protestantes concordam. Se o leitor comparar cuidadosamente os versos mencionados de Daniel 7 com Apocalipse 13:1-10, verá que: 1) Os dois poderes são blasfemos e falam insolências e blasfêmias contra Deus. 2) Os dois poderes fazem guerra contra os santos e prevalecem contra eles, ou os derrotam. 3) Os dois têm bocas que proferem insolências. 4) Os dois sucedem à forma pagã do império romano. 5) Os dois continuam por um tempo, tempos e metade de um tempo, ou 1.260 anos. 6) Os dois perdem o domínio no fim do período especificado. Ora, aí estão pontos que provam a semelhança e identificação entre os poderes. Na realidade, quando temos, na profecia, dois símbolos, como nesse exemplo, representando poderes que sobem ao cenário ao mesmo tempo, ocupam o mesmo território, mantêm o mesmo caráter, executam a mesma obra, duram pela mesma extensão de tempo, surgem na mesma época, e, ao término de seu período de duração, têm a mesma sorte, esses símbolos representam o mesmo poder. Ora, todos esses detalhes se aplicam tanto ao chifre pequeno de Daniel 7, como à besta de Apocalipse 13, mostrando, de forma conclusiva, que ambos representam o mesmo poder. Não é preciso dizer mais nada para mostrar que a besta é o papado. Para os que desejarem investigar o assunto de forma mais extensa, há obras publicadas pela Review and Herald que tratam do tema.

2. A imagem. Esta é a imagem da besta que acabamos de considerar. Uma imagem é uma representação, uma semelhança, cópia ou imitação de alguma pessoa ou coisa. Como a besta é a igreja papal, uma igreja que tem poder civil para aplicar seus decretos e para determinar qualquer castigo que desejar para o crime de heresia, uma imagem dessa besta deve ser uma organização eclesiástica que possua essas mesmas características essenciais, e esteja estabelecida sobre as mesmas bases. Podemos encontrar, em algum lugar, a possibilidade ou qualquer indicação de um movimento desse tipo? O poder que faz a imagem é a segunda besta de Apocalipse 13, que é chamada de outra besta, e que tem dois chifres como os de um cordeiro. Qualquer indagação com respeito à imagem requer um exame prévio do que simboliza essa besta com dois chifres. Mas não há espaço para isso nesta obra. Apenas algumas proposições essenciais podem ser apresentadas aqui, que julgamos suficientes para nossa argumentação. Amplas provas para essas afirmações podem ser encontradas em outras publicações.
1. A besta com dois chifres é um símbolo dos Estados Unidos da América.
2. Seus dois chifres representam os dois princípios fundamentais desse governo, a saber, o republicanismo e o protestantismo.
3. Ela ocupa o território que satisfaz as especificações da profecia, pois, como ela é a outra besta, deve estar localizada fora do território ocupado pela primeira besta e seus dez chifres.
4. Ela foi vista emergindo no momento certo, ou seja, quando a primeira besta foi levada cativa, em 1798. Essa nação estava, então, começando a atrair a atenção do mundo como um poder em desenvolvimento e em rápida ascensão.
5. Ela tem a forma correta de governo, o qual, de acordo com a profecia, deve ser republicano, não monárquico.
6. Ela está desempenhando a obra que lhe foi especificada na profecia. Em resumo, ela se encaixa, de maneira muito admirável, em cada aspecto da descrição profética.

A formação da imagem ainda é futura, mas, se estivermos certos quanto à aplicação das características da besta com dois chifres, temos que procurar por essa imagem em nosso próprio país, e não em um futuro muito distante, pois a carreira de todos os governos terrestres deve logo se encerrar com a vinda do dia do Senhor. Notemos, então, como o caminho está sendo preparado para este último grande ato da besta de dois chifres. Sob a branda influência de um dos chifres, semelhante ao de um cordeiro, representando o princípio protestante de que todos têm liberdade para adorar a Deus de acordo com os ditames de sua própria consciência – princípio este que o governo tem, até agora, garantido a todos os seus cidadãos –, igrejas têm se multiplicado neste país. Mas essas igrejas rejeitaram a luz e a verdade, e, como um corpo, sofreram uma queda moral. Uma lista de vinte características imorais, sem nenhuma boa sequer, compõe a fotografia apresentada por Paulo, em 2 Timóteo 3:1-5, das igrejas populares destes últimos dias. Mas muitos do povo de Deus ainda mantêm ligação com essas igrejas e precisam ser chamados (Apocalipse 18:4). Quando isso se concretizar, quando todos os bons tiverem deixado as igrejas nominais e toda sua influência salvadora tiver sido retirada dessas comunidades religiosas, então teremos os elementos adequados para a formação de uma imagem da besta, pois elas estarão prontas para quaisquer atos de perseguição e opressão contra o povo de Deus – atos que aqueles que voluntariamente se tornaram cativos de Satanás praticarão, instigados por ele. Onde poderíamos encontrar uma imagem da mãe das meretrizes senão nas filhas? Podemos ter certeza de que a criança se desenvolverá de acordo com a perfeita imagem de sua mãe. Quando essas igrejas caídas, das quais os bons terão saído e a graça de Deus terá sido retirada, formarem uma organização eclesiástica, e o governo lhes conceder poder (o qual, naturalmente, não terão até que o governo lhes conceda) para impor seus dogmas sob a pena da lei civil, o que teremos, então? Uma imagem exata da primeira besta, uma igreja revestida de poder para impor suas doutrinas sobre os dissidentes, sob fogo e espada. A história e a analogia provam que as igrejas, sob a condição para a qual estão rapidamente se dirigindo, estarão prontas para esse trabalho. Aqui estaria uma organização separada do governo, sem representar parte dele, mas por ele criada, formando uma réplica perfeita para a cumprimento da profecia da imagem da besta.

Perguntamos agora: há algum indício da formação de um movimento desse tipo? Respondemos que sim, como demonstrarão algumas das muitas citações que podem ser apresentadas, as quais mencionaremos a seguir. Convém lembrar que primeiro é “dito” aos que habitam na Terra, o povo da nação, que eles devem fazer uma imagem para a besta (cf. Apocalipse 13:14). A questão deve ser primeiro discutida, e o movimento, recomendado, antes que a opinião pública seja preparada para uma ação decisiva quanto ao assunto.

O Dr. Lyman Beecher, citado por Lorenzo Dow, diz:
Há um estado social a ser formado por uma combinação extensa de instituições religiosas, civis e literárias, que não pode existir sem a cooperação de um ministério letrado.

O Reverendo Charles Beecher, em seu sermão proferido na dedicação da Segunda Igreja Presbiteriana de Fort Wayne, Indiana, em 22 de fevereiro de 1846, disse:
Assim se encontram os ministros das denominações evangélicas protestantes: além de todo o seu processo de formação ser realizado sob uma tremenda pressão de medo meramente humano, eles vivem, se movem e respiram em meio a um estado de coisas radicalmente corrupto, que apela a cada momento, falando a todo elemento mais baixo de sua natureza, a que silenciem a verdade e dobrem os joelhos ao poder da apostasia. Não foi assim que aconteceu com Roma? Não estamos vivendo sua vida uma vez mais? E o que vemos bem diante de nós? Outro Concílio Geral! Uma convenção mundial! Aliança evangélica e credo universal!

Em um discurso apresentado em Nova York, o Sr. Havens disse:
De minha parte, espero ver o dia em que um Lutero se levantará neste país para fundar uma grande Igreja Católica Americana, em vez de uma grande Igreja Católica Romana. Ele ensinará aos homens que eles podem ser bons católicos sem professar fidelidade ao pontífice do outro lado do Atlântico.

O Northwestern Christian Advocate [Advogado Cristão do Noroeste], de 10 de dezembro de 1862, diz o seguinte a respeito da mensagem do presidente:
O Magistrado Chefe não vê nos dogmas do passado silencioso algo que seja semelhante ao tempestuoso presente. Ele vê que é preciso fazer a história. Ele vê, ainda, que a União poderá ser salva se o cristianismo e o estado derem as mãos.

Já existem alguns movimentos que foram inaugurados para formar uma grande união de igrejas populares. O Reverendo J. S. Smart (metodista), num sermão publicado sobre os “deveres políticos dos homens e ministros cristãos”, diz:
Eu afirmo que temos, e devemos ter, tanta preocupação com o governo deste país como quaisquer outros homens. [...] Somos a maioria do povo. A virtude neste país não é fraca; suas fileiras são fortes em números e invencíveis, graças à justiça de sua causa. Invencíveis se estiverem unidas! Não permitamos que suas fileiras sejam fraturadas por nomes de partidos.

Em um discurso proferido na cidade de Nova York sobre “O Conflito Vindouro”, em fevereiro de 1866, o orador disse:
Está chegando o momento em que será feita uma tentativa de enxertar uma religião nas leis do país, tornando absolutamente necessário que candidatos a cargos públicos estejam vinculados a essa forma de religião.

Acaba de ser formada uma associação, com o propósito de assegurar a adoção de certas medidas que visam a uma emenda da Constituição Nacional, de maneira que ela manifeste as ideias religiosas da maioria e, especialmente, imponha a guarda do domingo sob o nome popular de “sábado cristão”. Ela é chamada de “Associação Nacional”, e entre seus oficiais está incluída uma longa lista de reverendos, doutores em divindade, excelências, cavalheiros, etc. Eles dizem:
Homens de alta reputação, de todas as origens, de cada parte do país e de cada matiz de convicção política e crença religiosa concordaram com a medida.

Em seu apelo, eles pediram com seriedade para que todos os que amam seu país se unam na formação de associações auxiliares, que circulem documentos, assistam a convenções, assinem o memorial para o Congresso, etc., etc.

Em seu pedido por uma emenda constitucional, eles convidam o povo a que:
Considere o fato de que Deus não é, nem uma vez, mencionado em nossa Constituição Nacional. Não há nada nela que exija um “juramento por Deus”, como a Bíblia o chama (o qual, afinal, é a grande garantia de lealdade do cidadão e de fidelidade do magistrado), nada que exija a observância do dia de descanso e de adoração, ou que se refira a sua santidade. O fato de não termos entrega de correspondência nem agências de correios abertas aos domingos, é consequência de termos um Diretor Geral dos Correios que respeita o dia. Se nossa Suprema Corte não funciona no domingo, e se o Congresso não se reúne nesse dia, é o costume, não a lei, que assim o determina. Nada na Constituição impõe o descanso do domingo à alfândega, ao arsenal da marinha, aos quartéis ou a qualquer outro departamento do governo.

Considerem que eles expressam, em boa medida, o pensamento da maior parte do povo americano. Este povo é um povo cristão. Essas emendas estão de acordo com a fé, os sentimentos e as formalidades de cada igreja ou denominação cristã. Os católicos e os protestantes, os unitarianos e os trinitarianos professam e aprovam tudo o que está sendo proposto aqui. Por que os seus desejos não se tornariam leis? Por que não fazer com que a Constituição se adeque e represente um grupo de pessoas que constitui tão esmagadora maioria? [...] Essa grande maioria está se tornando, diariamente, mais consciente, não apenas de seus direitos, mas também de seu poder. Seu número está crescendo e suas fileiras se tornando mais sólidas. Sem fazer alarde, eles se opõem à infidelidade, até o ponto de se tornarem, no mínimo, politicamente impopulares. Eles têm assegurado os direitos do homem e os direitos do governo, chegando a fazer com que a fé da nação nesses pontos se torne declarada e mensuravelmente firmada. E, agora que o fim da guerra nos dá oportunidade de fazer emendas na nossa Constituição, para que ela possa representar clara e plenamente o pensamento do povo sobre esses pontos, eles acham que ela também devia sofrer emendas a fim de reconhecer os direitos de Deus sobre o homem e sobre o governo.

Não seria mais do que legítimo que eles, depois de sua longa espera paciente, tenham, finalmente, a permissão de reconhecer, corajosamente, os grandes fatos e princípios que dão ao governo sua dignidade, estabilidade e benevolência?

Apresentamos essas citações apenas para mostrar a tendência da agitação popular quanto a esse assunto. Elas mostram o que vai no coração de líderes das igrejas populares, e o que eles planejam fazer assim que chegarem ao poder. São evidências confirmatórias de que as aplicações que fazemos da besta com dois chifres e da imagem formada por ela estão corretas.

3. A marca e a adoração da besta. A besta com dois chifres faz com que as pessoas adorem a primeira besta e recebam sua marca. A adoração e a marca são igualmente impostas pela besta com dois chifres. É contra essa adoração e essa marca que o terceiro anjo nos adverte. Torna-se, então, muito solene indagar o que querem dizer essas expressões, uma vez que sua mensagem faz, contra essas coisas, não importando o que representem, uma denúncia mais séria do que qualquer outra ameaça que possa ser encontrada na Palavra de Deus. Seu pecado deve ser de natureza extremamente presunçosa e atrevida. Mas qual será ele? Muitos estão prontos para afirmar que nunca poderemos descobrir, e também nos acusar de bisbilhotar coisas secretas ao fazermos tal pergunta. Mas isso é possível? Se não pudermos descobrir o que são a marca e a adoração, ficaremos sujeitos a, respectivamente, recebê-la e prestá-la sem saber. Ficaremos, assim, sujeitos à terrível ameaça de castigo. Mas será que Deus castigaria uma pessoa por pecados que ela não sabe estar cometendo? Nunca. Seria contrário aos princípios que fundamentam, até hoje, Seu trato com a humanidade, e contrário à justiça de Sua própria natureza. E uma mensagem especial, a do terceiro anjo, é enviada para advertir as pessoas, não contra algo que nunca conhecerão, mas contra um ato claro e aberto de deslealdade a Deus, o qual a besta de dois chifres irá requerer deles. Caso cedam, elas deverão beber da ira sem mistura de Deus. Voltamos a indagar: o que é a marca da besta?

A besta, conforme já vimos, é o papado. A besta com dois chifres, que há de impor a marca, é o nosso próprio governo. Qual é a marca do papado que esta nação vai impor? Deve ser algo que eles têm em comum e em que ambos estão igualmente interessados. A marca de qualquer poder precisa ser algo que possa distinguir os adeptos desse poder. Isso ninguém pode discutir. E o que distingue os adeptos de qualquer poder deve ser alguma lei, requerimento ou instituição desse poder. Não pode ser outra coisa. A marca da besta, então, deve ser, naturalmente, algum requerimento de natureza religiosa, instituído pelo papado, e para o qual ele reclama a obediência de seus seguidores, como um sinal de seu direito de legislar sobre assuntos religiosos. Com base nos princípios mencionados acima, que devem ser admitidos como sólidos, essa é uma conclusão inevitável.

Novamente, foi mostrado que a besta é idêntica ao chifre pequeno de Daniel 7. Sobre esse poder, é dito que ele “cuidar[ia] em mudar os tempos e as leis”. Que leis são essas, que o papado cuidaria em mudar, sem ter, no entanto, o poder de mudá-las? Devem ser as leis divinas, as leis de Deus, pois todas as leis humanas podem ser mudadas por poderes terrestres. Esse poder é novamente trazido à tona, sob o título de “o homem do pecado” (2 Tessalonicenses 2:3), e é dito que ele “se levanta contra tudo que se chama Deus”. Como ele poderia fazer isso? Há uma maneira, e apenas uma, de fazer isso: mudar a lei de Deus, colocando um decreto de sua própria autoria no lugar de alguns dos requerimentos dela, e exigindo obediência a essa mudança, em violação à lei de Deus.

Em todos esses testemunhos, as evidências, de forma maravilhosamente harmoniosa, nos levam à conclusão de que o papado iria promulgar algum decreto envolvendo uma mudança na lei de Deus; e a obediência a essa mudança significaria reconhecer a supremacia do papado em assuntos religiosos. Se pudermos encontrar um decreto papal dessa natureza, este certamente corresponderá à marca da besta. Será mais fácil avançar com nossas investigações se recorrermos diretamente à igreja romana em busca de informações. Encontramos, entre suas afirmações e instituições, algo dessa natureza? Certamente que sim. E alguns protestantes podem se surpreender ao descobrir que consiste na instituição do domingo como substituto do sábado do quarto mandamento. Veja o que a igreja afirma sobre a assunto da mudança do Sábado:

Pergunta: Vocês têm alguma outra maneira de provar que a Igreja tem poder para instituir festas religiosas como preceitos?
Resposta: Se não tivesse tal poder, ela não teria conseguido fazer aquilo que todos os religiosos modernos reconhecem que ela fez: ela não poderia ter substituído a observância do sábado, o sétimo dia, pela observância do domingo, o primeiro dia da semana, uma mudança para a qual não há nenhuma autoridade bíblica” (Doct. Catechism).

Pergunta: Como vocês provam que a igreja tem poder para ordenar festas e dias santos?
Resposta: Pelo próprio ato de transformar o sábado em domingo, o que os protestantes acatam. Portanto, eles ingenuamente se contradizem, ao guardar estritamente o domingo e quebrar a maioria das outras festas ordenadas pela mesma igreja.

Pergunta: Como vocês provam isso?
Resposta: Ao guardarem o domingo, eles reconhecem o poder que a Igreja tem de ordenar festas, etc. (Abridgement of Christian Doctrine, p. 57-59).

Essas são citações de obras oficiais da Igreja Católica, que estabelecem claramente a reivindicação dessa igreja. Quando uma pessoa é acusada de um crime e o confessa, geralmente se considera que isso é suficiente para definir a questão, e descarta-se a necessidade de qualquer nova investigação. A profecia declara que o chifre pequeno cuidaria em mudar os tempos e as leis, e aqui o papado afirma ter realizado exatamente esse ato. Ou admitimos sua afirmação, ou descartamos a profecia por ser deficiente, pois não se pode apresentar nenhum outro cumprimento para ela. Que necessidade haveria de maiores evidências? Note, também, como essa obra do papado está em admirável conformidade com todas as profecias que lhe dizem respeito.
1. É uma mudança da lei de Deus, exatamente como aquela que o chifre pequeno haveria de realizar, pois o quarto mandamento requer a observância do sétimo dia como memorial da criação, ao passo que a ordenança papal requer a observância do primeiro dia por outra razão.
2. É uma obra por meio da qual o papado se coloca acima de Deus, como o homem do pecado faria, pois ele coloca sua instituição no lugar da de Jeová e exige obediência, com base em sua própria autoridade, em detrimento do requerimento de Deus.
3. Envolve, da parte dos que deliberadamente se submetem a essa instituição, a adoração que a besta deveria receber dos que habitam sobre a terra (Apocalipse 13:8).
4. Ela entra em choque com os mandamentos de Deus, que guardarão aqueles que se recusam a receber a marca da besta e a adorá-la (Apocalipse 14:12).
5. Ela é considerada um sinal da autoridade da igreja para ordenar instituições religiosas, exatamente o que a marca da besta tem a intenção de mostrar, pois as palavras “[o] próprio ato de transformar o sábado em domingo”, são consideradas, por essa igreja, como uma prova do seu poder para ordenar festas e dias santos; e a observância dessa instituição é, por eles, considerada como um reconhecimento de tal poder.
6. Os protestantes aprenderam esse erro com a igreja romana, e, embora se baseiem em motivos diferentes para praticá-lo, eles são igualmente cuidadosos quanto à observância da instituição, e igualmente zelosos em sua preservação. Como citado acima, no discurso da “Associação Nacional” para a emenda constitucional, católicos e protestantes estão igualmente interessados nessa questão. E, naturalmente, os protestantes estarão prontos a se unir aos católicos para sustentar aquilo que lhes é igualmente precioso.

Temos aqui, então, uma instituição do papado que, de maneira admirável, satisfaz a cada especificação da profecia. Além disso, é bastante curioso que esta nação, embora protestante, esteja dando passos para fazer dela uma instituição nacional, e logo estará pronta para impô-la através da autoridade civil. Para obter provas de que a guarda do domingo não tem fundamento nas Escrituras, mas que se trata de uma instituição do papado, como afirmam os católicos, ver História do Sábado de J. N. Andrews e outras obras publicadas pela Review.

Sendo assim, se a guarda de um falso sábado, o primeiro dia da semana, por tanto tempo observado, constitui a marca da besta, não há dúvida de que muitos perguntarão se os devotos do passado, que viveram em observância a essa instituição, teriam recebido a marca da besta e prestado adoração a esse poder anticristão, e se os muitos cristãos da atualidade, que ainda estão guardando o primeiro dia, estão adorando a besta e recebendo a sua marca. Os que desejam suscitar um preconceito cego contra as ideias dos adventistas do sétimo dia, descrevem-nos como se ensinássemos assim. Mas essa descrição é falsa. Esse não é nosso ensinamento, e nossas premissas não geram tal conclusão. Já foi mencionado que a marca e a adoração da besta são, ambas, impostas pela besta com dois chifres. Ora, tendo em vista esse fato, não pode haver adoração nem recebimento da marca, tal como contemplado pela profecia, antes que isso seja imposto por esse poder. A grande maioria dos protestantes que guarda o primeiro dia da semana como o dia de descanso, embora esta seja uma instituição do papado, não tem a menor ideia de que ela tenha qualquer ligação com esse falso sistema de adoração. Esses protestantes, ao guardarem o domingo sem qualquer consciência do poder que o originou, supondo, honestamente, estarem guardando uma instituição bíblica, estariam adorando a besta? De maneira nenhuma. Eles receberam a marca da besta? Absolutamente não. A denúncia contida na terceira mensagem é contra os que, conscientemente, guardam o domingo como uma instituição da besta. Ela tem a ver com os que têm luz sobre o assunto, e apenas com esses. E, quando essas pessoas esclarecidas, que conhecem o que Deus requer e o que a besta requer, vierem a se submeter servilmente aos ditames da besta para evitar perseguições, afastando-se covardemente daquilo que sabem que Deus requer, motivadas por interesses mundanos, elas fazem, com esse ato, com que seu pecado se torne demasiadamente presunçoso e desafiador aos olhos de Deus. É isso que leva o terceiro anjo a pronunciar sua terrível ameaça. Mas os bons cristãos do passado não guardavam o dia com esse conhecimento, nem por qualquer um desses motivos.

O mesmo ocorre com a massa de protestantes dos nossos dias. Mas a terceira mensagem é dada para nos advertir quanto a um assunto que ainda está no futuro. O povo de Deus está caminhando rumo à transladação. Ele precisa se libertar dos erros do papado. A verdade precisa ser disseminada, e o antagonismo entre os requerimentos de Deus e os dos poderes anticristãos precisa ser apresentado diante do povo, com uma luz clara e distinta. A questão precisa ser vista de maneira compreensível: de um lado, a besta com dois chifres está exigindo de seus súditos que recebam a marca, e que adorem à primeira besta, sob pena de morte; e, do outro lado, Deus está nos ordenando a recusar a marca e a adoração da besta, e a guardar Seus mandamentos, sob pena de beber do cálice de Sua ira, sem mistura. Os que cederem aos requerimentos da besta em lugar dos de Deus, mesmo tendo conhecimento disso, adorarão a besta e receberão sua marca. Ao procurarem, dessa forma, salvar sua vida evitando a ira dos poderes terrestres, eles a perderão, por se exporem à ira de Deus. Até que essa questão fique clara diante das pessoas, quando da promulgação de uma lei civil, não acusamos ninguém de adorar a besta ou receber a sua marca. E a terceira mensagem é dada para advertir as pessoas a abandonarem seus erros e receberem a verdade, para que estejam preparadas para resistir quando esta tremenda provação vier. E, finalmente, se tiverem alcançado a vitória sobre a besta, sua imagem, sua marca e o número do seu nome, poderão cantar o cântico da vitória sobre o mar de vidro.

4. A paciência dos santos. A cronologia da terceira mensagem é claramente definida como sendo o período da “paciência dos santos”, que vem após a proclamação das duas mensagens anteriores. “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (Apocalipse 14:12). Esse período da paciência dos santos é marcado por um fato muito importante, a saber, a guarda dos mandamentos de Deus e a fé de Jesus. Vimos que a mensagem do primeiro anjo se refere à solene proclamação do imediato retorno de Cristo. Consequentemente, o período de paciência visto aqui deve ser o mesmo que é descrito, em muitas passagens, como ocorrendo imediatamente antes do segundo advento. Alguns poucos textos são suficientes para exemplificar a questão.

Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará; todavia o justo viverá pela fé; e: se retroceder, nele não Se compraz a Minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, daqueles que creem para a conservação da alma (Hebreus 10:35-39, trad. lit. KJV).

Sede, pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração, porque já a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros, para que não sejais condenados. Eis que o juiz está à porta. Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor (Tiago 5:7-10).

Como guardaste a palavra da Minha paciência, também Eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na Terra. Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa (Apocalipse 3:10, 11).

E, naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e Ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na Sua salvação, exultaremos e nos alegraremos” (Isaías 25:9).

5. Os mandamentos de Deus. O período da paciência dos santos se distingue pelo fato de que eles estão guardando os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. É preciso destacar que os mandamentos aqui mencionados não são os mandamentos de Cristo. Em certo sentido, pode-se afirmar que todos os preceitos do Salvador podem ser chamados de “mandamentos de Deus”, ou seja, considerados como provenientes da soberana autoridade do Pai. Mas quando se fala dos mandamentos de Deus, distinguindo-os do testemunho ou da fé de Jesus, só existe uma coisa à qual se pode fazer referência, a saber, os mandamentos que Deus deu pessoalmente – os dez mandamentos. Ver João 15:10: “Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor, do mesmo modo que Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço no Seu amor”. Vemos, portanto, a lei de Deus, que Ele proclamou pessoalmente, sendo mencionada no Novo Testamento como “os mandamentos de Meu Pai”, ou como “os mandamentos”.

E Ele disse-lhe: Por que Me chamas bom? Não há bom, senão um só que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mateus 19:17-19).
E, voltando elas, prepararam especiarias e unguentos e, no sábado, repousaram, conforme o mandamento (Lucas 23:56).
Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos Céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos Céus (Mateus 5:17-10).
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a Terra (Efésios 6:2, 3).
Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus pela vossa tradição? Porque
Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, que morra de morte. Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim, esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe, e assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus (Mateus 15:3-6).
Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás (Romanos 7:7).

6. A fé de Jesus. Esse termo é usado de uma forma que o distingue dos “mandamentos de Deus”. Ele não se refere a um grau ou espécie particular de fé exercida pelo Salvador ao realizar Seus milagres, uma vez que, aparentemente, Ele os efetuou pelo poder que já tinha recebido de Seu Pai (Mateus 8:2, 3; Marcos 1:40, 21; Lucas 5:23, 24). O próprio mundo foi feito por Ele (João 1). Ele tinha pleno poder, portanto, para realizar todos os milagres que realizou. Há apenas uma coisa a que esse termo pode se referir, a saber, os preceitos e doutrinas do nosso Senhor registradas no Novo Testamento. Assim, a “fé do evangelho” (Filipenses 1:27) deve se referir aos preceitos e doutrinas do evangelho. A fé à qual a multidão de sacerdotes era obediente (Atos 6:7) e à qual Elimas, o feiticeiro, resistiu (Atos 8:8), a fé que foi confiada aos apóstolos para a obediência de todos os gentios (Romanos 1:5), a mesma que Paulo testifica ter guardado (2 Timóteo 4:7) e que deve ser diligentemente mantida tal qual foi, uma vez, dada aos santos (Judas 3), deve se referir, assim julgamos, aos preceitos e doutrinas do evangelho eterno. Não se pode negar, segundo acreditamos, que a fé de Jesus é usada nesse sentido em Apocalipse 2:13. “Conservas o Meu nome”, diz Jesus, “e não negaste a Minha fé”. Fica ainda mais evidente que esse é o sentido usado em Apocalipse 14:12, quando se percebe que ela é mencionada como sendo guardada, da mesma maneira que os mandamentos de Deus são guardados.
“[...] aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus [o Pai] e a fé em Jesus [o Filho]”. Isso exclui tanto os judeus cegos, que se vangloriam na lei e rejeitam a Jesus, quanto os cristãos, que professam ter fé em Cristo enquanto quebram os mandamentos de Deus. A fé de Jesus se aplica apenas aos cristãos observadores dos mandamentos.

7. A ameaça de castigo. O terrível castigo associado à advertência do terceiro anjo consiste em duas coisas: 1) O vinho da ira de Deus derramado sem mistura no cálice de Sua indignação. 2) O ser atormentado com fogo e enxofre na presença dos santos anjos e do Cordeiro. Consideremos cuidadosamente cada um, na ordem em que aparecem.
O que é o vinho da ira de Deus? O capítulo seguinte explica claramente esse ponto.
E vi outro grande e admirável sinal no céu: sete anjos que tinham as sete últimas pragas, porque nelas é consumada a ira de Deus. E um dos quatro animais deu aos sete anjos sete salvas de ouro, cheias da ira de Deus, que vive para todo o sempre (Apocalipse 15:1, 7).
Conclui-se, portanto, que o vinho da ira de Deus são as sete últimas pragas. Essa explicação ficará mais clara quando mostrarmos que essas pragas são futuras, pois acreditamos que é possível estabelecer, sem controvérsias, que elas o são.
1. A ameaça da ira de Deus, anunciada pelo terceiro anjo, concretiza-se nas sete últimas pragas, pois a primeira praga é infligida ao primeiro grupo a que o terceiro anjo dirige sua ameaça (comparar com Apocalipse 14:9, 10; 16:1, 2). Isso prova que as pragas devem ser futuras, pois ocorrerão quando a mensagem do terceiro anjo for dada. Isso também mostra que a ira de Deus sem mistura e as sete últimas pragas são a mesma coisa.
2. Acabamos de mostrar que as pragas e a ira de Deus sem mistura são a mesma coisa. E a ira sem mistura deve ser uma ira pura, sem mais nada, isto é, uma ira sem misericórdia. Deus ainda não visitou a Terra com uma ira sem qualquer mistura, nem pode fazê-lo enquanto nosso Sumo Sacerdote ministra no santuário celestial, contendo a ira de Deus mediante Sua intercessão pelos homens. Quando as pragas forem derramadas, a misericórdia dará lugar à vingança.
3. Conclui-se, portanto, que os sete anjos são apresentados como recebendo as taças, ou salvas [ARC], cheias da ira de Deus, que representam as sete últimas pragas, depois da abertura do templo de Deus no Céu. Em Apocalipse 11:15-19, vemos que a abertura do templo no Céu é um evento que ocorre sob o som da trombeta do sétimo anjo, e que o relato conclui com uma breve apresentação dos eventos da sétima taça, ou última praga. Se formos ao capítulo 15:5-8 e 16:1-21, teremos uma visão expandida dos fatos apresentados no capítulo 11:15-19, e constataremos que os dois relatos terminam da mesma maneira, ou seja, com os eventos da última praga. Essas passagens mostram que os sete anjos não recebem as taças da ira de Deus, para derramar sobre a Terra, antes que o templo do Céu seja aberto. O templo é aberto pela voz do sétimo anjo; o terceiro ai é resultado da voz do sétimo anjo (capítulo 8:13; 9:12, 11:14); as sete pragas são também derramadas com a voz do sétimo anjo, de modo que as pragas são futuras, e representam o terceiro ai.

As razões acima apresentadas demonstram que as pragas são futuras. Além disso, não há razão para que elas não sejam semelhantes, em caráter, àquelas derramadas no Egito, embora suas consequências sejam muito mais terríveis e espantosas. Que Deus nos considere dignos de escapar das coisas que sobrevirão a esta Terra, e nos permita subsistir diante do Filho do Homem. As sete últimas pragas são derramadas sobre os ímpios vivos, mas a segunda parte do castigo descrito na advertência do terceiro anjo é dada ao final dos mil anos, quando todos os ímpios são ressuscitados e sofrem juntos. Considerarei, agora, essa parte do castigo.
“E será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre [...]”. A destruição final dos ímpios no lago de fogo é, indubitavelmente, o tema dessas terríveis palavras. Para que possamos entendê-las corretamente, chamamos a atenção do leitor para alguns fatos importantes.

1. O castigo dos ímpios será sofrido por eles nesta Terra, pois a destruição final do nosso globo consiste no lago de fogo, no qual eles terão sua recompensa, cada um de acordo com suas obras.
Eis que o justo é punido na Terra; quanto mais o ímpio e o pecador! (Provérbios 11:31).
Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro e se guardam para o fogo, até o Dia do Juízo e da perdição dos homens ímpios (2 Pedro 3:7).
Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte (Apocalipse 21:8).
Porque eis que aquele dia vem ardendo como forno; todos os soberbos e todos os que cometem impiedade serão como palha; e
o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo (Malaquias 4:1).
E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da Terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E subiram sobre a largura da Terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do Céu e os devorou (Apocalipse 20:7-9).

2. O profeta Isaías (capítulo 34) descreve o fogo destruidor final do nosso globo numa linguagem semelhante à do terceiro anjo, ao este descrever o castigo dos ímpios. Os que argumentam que Isaías se refere somente à antiga Idumea, devem admitir que o período de tempo descrito com essa linguagem forte deve, finalmente, chegar ao fim. E os que admitem que Isaías, no trecho que vamos citar a seguir, se refere ao fogo que destruirá e purificará nossa Terra, terão amplas provas de que essa cena finalmente terá um fim.
Porque será o dia da vingança do Senhor, ano de retribuições, pela causa de Sião. Os ribeiros de Edom se transformarão em piche, e o seu pó, em enxofre; e a sua terra se tornará em piche ardente. Nem de noite nem de dia se apagará; subirá para sempre a sua fumaça; de geração em geração será assolada, e para todo o sempre ninguém passará por ela (Isaías 34:8-10, ARA).

3. Mas essa terrível cena final do fogo destruidor não deverá durar por período ilimitado, pois a Terra será queimada, e todos os seus elementos serão derretidos, dando lugar, assim, a Novos Céus e Nova Terra, da mesma forma que a Terra atual sucedeu àquela que foi destruída pelas águas. E, na Terra renovada, os justos serão recompensados.
Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de Deus, em que os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a Sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça (2 Pedro 3:10-13).
E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe (Apocalipse 21:1).

4. Assim, por mais espantoso e duradouro que seja o castigo dos ímpios (pois cada um deverá ser punido de acordo com o que merecer), esse castigo resultará, finalmente, na destruição total dos transgressores. Deus destruirá todos os ímpios (Salmos 145:20). Eles morrerão a segunda morte (Apocalipse 21:8; Romanos 6:23; Ezequiel 18:4, 20). Eles perecerão e se desfarão em fumaça (Salmos 37:10, 20, 38). Eles serão castigados com eterna destruição, sendo queimados no fogo que não se apaga (2 Tessalonicenses 1:9; Mateus 3:12). E, sendo assim consumidos, raiz e ramo, será como se eles nunca tivessem existido (Malaquias 4:1; Obadias 16).


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